PSICÓLOGO PODE?

         

Nem tudo pode. Infelizmente, grande numero de psicólogos tem aderido a recursos estranhos à Psicologia em sua prática clínica. Dentre as denúncias de más práticas recebidas pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP), 25% se referem ao uso de práticas místico-religiosas nas sessões de psicoterapia. Práticas alternativas como REIKI, TARÔ, TVP (terapia de vidas passadas), NUMEROLOGIA, entre outras, não podem ser associadas ao atendimento psicológico.

         Tais práticas não são psicológicas, jamais podem ser confundidas com a ciência psicológica. O psicólogo, ao lançar mão de práticas místicas, está deturpando sua profissão ao transmitir a ideia de que a Psicologia

não dá conta de resolver os problemas emocionais do indivíduo. Muitas vezes, na busca de

satisfação imediata da demanda do outro, o profissional utiliza certos recursos místicos, como fuga á reflexão.

             A Psicologia, por meio de seu Código de Ética, estabelece que suas práticas devam ser embasadas

em conhecimento que, a todo tempo, possa ser ampliado e transformado. Assevera ainda que as pessoas

necessitam de possibilidade argumentativa sobre tais práticas; sem seremsubmetidas a uma única crença.
Como exemplo de tais práticas, na “TVP” o sujeito é levado a acreditar na reencarnação,

levando-o a crer que a origem de seu problema reside em “outras vidas vividas”. Ao apontar a

etiologia do problema fora do indivíduo, ferem o princíio psicológico de sujeito autônomo,

com capacidade de interferir na sua história. Essas crenças místico-religiosas, ao afirmar que o

destino foi traçado a priori ou a existência de forças que fogem ao controle pessoal, veem a pessoa

como um ser passivo, incapaz de mudar o que já foi escrito.

           Cabe ao Psicólogo, esclarecer logo no primeiro atendimento os limites da

psicoterapia, evitando alimentar esperança de “cura” imediata e permanente de

todos os seus problemas emocionais. A Psicologia como ciência diz de uma realidade

que nunca está pronta, portanto é mutável. O sujeito se constitui inserido num

contexto temporal, histórico e cultural que interfere fundamentalmente em seu

comportamento e suas relações.

Filomena Nunes Ruston
Psicóloga e Psicoterapeuta |CRP 06/87080 

Fonte: CRP/SP Questões Éticas- Psicologia e Misticismo não se misturam –
http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/140/frames/fr_questoes_eticas.aspx